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Brasil: Triste rastro da seca

Caatinga é o bioma mais afetado por incêndios em todo o País

  Caatinga é o bioma mais afetado por incêndios em todo o País Neste ano, área teve 157% mais fogo que em 2020; no Estado de São Paulo, o aumento dos focos chegou a 28%Quer se manter informado, ter acesso a mais de 60 colunistas e reportagens exclusivas?Assine o Estadão aqui!

Nível baixou a uma situação crítica na Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, reflexo das raras precipitações chuvosas desde março em Minas © RENATO SCAPOLATEMPORE/EM/D.A PRESS Nível baixou a uma situação crítica na Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, reflexo das raras precipitações chuvosas desde março em Minas

Sinal de alerta para os recursos hídricos da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O nível baixo da represa da Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, reflete a pior seca dos últimos 111 anos. O quadro de emergência hídrica foi emitido pelo Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), que informou que a escassez atingiria, entre junho e setembro, Minas e outros estados brasileiros. O SNM resulta da atuação conjunta de instituições federais para aprimoramento e elaboração de previsões de eventos meteorológicos extremos, pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Secas extremas vão afetar maior parte da Bacia Amazônica neste século

  Secas extremas vão afetar maior parte da Bacia Amazônica neste século De acordo com os autores, a redução florestal fez com que um dos maiores sumidouros de carbono do mundo gerasse quase 500 milhões de toneladas de emissões de CO2, uma quantidade maior do que as emissões anuais de países desenvolvidos como o Reino Unido e a Austrália. Devido às mudanças climáticas, cientistas preveem que secas extremas mais frequentes afetem a maior parte da Bacia Amazônica neste século; neste cenário, o El Niño de 2015 pode ser visto como uma janela para o futuro.

De acordo com o meteorologista Ruibran dos Reis, da Climatempo, choveu muito pouco no período de outubro de 2020 a abril de 2021, o que se reflete agora no nível dos cursos d'água e reservatórios. Já são quase seis meses sem chuvas, volume suficiente para o abastecimento hídrico. "Somente em fevereiro, tivemos chuvas acima da média. De março para cá, as chuvas pararam. Ficamos sem chuvas para as nascentes e para abastecer os reservatórios."

A exemplo de Nova Lima (RMBH), a estiagem castiga também a capital. A previsão é de que a chuva deverá chegar amanhã a Belo Horizonte, segundo informações do 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Ontem, a capital mineira teve nuvens esparsas e a umidade relativa do ar atingiu, à tarde, a mínima de 35%.

Pior seca em quase um século aprofunda crise energética no Brasil

  Pior seca em quase um século aprofunda crise energética no Brasil A seca que colocou o Brasil à beira do colapso energético se aprofunda e acelera as medidas governamentais, focadas em evitar apagões, apelando para fontes de energia mais caras, financiadas com aumentos nas tarifas de eletricidade. A pior seca em 91 anos reduziu a níveis críticos os reservatórios das hidrelétricas do Centro-Oeste e do Sul, fontes de 70% da energia hidráulica do país, à medida que a economia se recupera após o colapso provocado pela pandemia de coronavírus.A crise se tornou palpável para os consumidores na conta de luz, que voltou a subir na terça-feira em quase 7% para cobrir os custos de produção de outras fontes alternativas  mais caras e importações.

O meteorologista Ruibran dos Reis ressaltou que chuvas significativas só devem ocorrer em outubro. "A seca continuará em setembro", projetou. Ele lembrou que a mudança nos regimes de chuva decorre do aquecimento global. "O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou relatório com participação de 100 países, com os melhores artigos científicos do mundo dizendo que o homem é o causador da mudança de clima", observa.

Entre as consequências das mudanças climáticas estão as secas extremas, como as que atingem o Brasil, colocando o país em risco de desabastecimento de energia elétrica. "Em um ano chove muito, no outro chove pouco. Quando tem seca, é seca extrema", analisa o meteorologista. Ruibran lembrou que o período chuvoso de 2019 e 2020 foi bom, mas que o mesmo não ocorreu nesta temporada. Fases chuvosas bastante ruins deverão ocorrer também no período 2021-2022.

O fenômeno climático El Niño e seus efeitos nocivos na Amazônia

  O fenômeno climático El Niño e seus efeitos nocivos na Amazônia Nova pesquisa mostra como a combinação de altas temperaturas, secas intensas e os incêndios causados pelo homem resultaram em uma perda florestal dramática na bacia do Baixo Tapajós, no oeste do Pará. De acordo com os autores, a redução florestal fez com que um dos maiores sumidouros de carbono do mundo gerasse quase 500 milhões de toneladas de emissões de CO2, uma quantidade maior do que as emissões anuais de países desenvolvidos como o Reino Unido e a Austrália.

O diretor do Minas Náutico (clube localizado no condomínio Alphaville Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima), Jorge Guimarães, disse ontem que fica triste ao ver a lagoa como se encontra atualmente, mas observou que o nível tão baixo não impossibilita a prática de esporte, embora traga danos. "Estamos no fim da seca. A lagoa já esteve em dias melhores. Estava bem cheia há dois meses, mas baixou muito", contou.

O Minas Náutico tem permissão para realizar esportes aquáticos na lagoa, que é de propriedade privada, a exemplo de remo e barco a vela. "Os esportes ficam prejudicados, mas ainda não impossibilitados. A gente fica muito triste de ver a lagoa assim. Ela é bonita cheia."

ESCASSEZ

Em outras regiões de Minas, o cenário já é desolador devido à escassez hídrica. Conforme mostrou o Estado de Minas na edição de 23 de agosto, cursos d’água antes caudalosos, como o Rio das Pedras, se transformaram em ruas na comunidade de Água Boa, na zona rural de Glaucilândia, na Região Norte de Minas. De acordo com a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), dos 33 municípios mineiros mais críticos na chamada "vulnerabilidade climática", 13 estão na região Norte – um deles é Glaucilândia.

A situação enfrentada pela comunidade se repete em outras dezenas de municípios da região, onde os efeitos drásticos das mudanças climáticas são cada vez mais visíveis e permanentes, com elevação da temperatura, desaparecimento de nascentes, diminuição e esgotamento de centenas de rios e córregos. O drama da seca ocorre em 89 municípios norte-mineiros e levou à situação de emergência, segundo a Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams).

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