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Brasil: Guedes diz que offshore foi ‘declarada’ e que não movimentou recursos

Investigados por fake news, empresários bolsonaristas têm offshores

  Investigados por fake news, empresários bolsonaristas têm offshores Otávio Fakhoury declarou empresas ao Fisco; Marcos Bellizia não informou se offshore está no seu IRda Pública

BRASÍLIA – O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira, 8, que não há conflito de interesse na existência de recursos em seu nome numa offshore em Ilhas Virgens, um paraíso fiscal, uma vez que ele saiu da gestão da empresa e os recursos foram declarados às autoridades competentes, como requer a lei. Foi a primeira vez que o ministro se manifestou publicamente sobre o caso desde a divulgação do Pandora Papers pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), noticiados no Brasil pela revista piauí e pelos portais Poder360 e Metrópoles.

Guedes participou de um evento virtual promovido pelo Itaú por ocasião das reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI). Como era voltado a investidores internacionais, o ministro da Economia falou em inglês. Ele mesmo puxou o tema da offshore, após dizer que o anfitrião não havia mencionado o assunto “por elegância”. Até então, ele havia se manifestado apenas por meio da assessoria de imprensa do Ministério e por meio de advogados.

Sócios de 20 das maiores empresas do Brasil têm offshores

  Sócios de 20 das maiores empresas do Brasil têm offshores Incluem os empresários da Prevent Senior, MRV, Riachuelo e até da Crefisa, parceira do PalmeirasAcionistas de 20 das 500 empresas que mais empregam no Brasil têm offshores em paraísos fiscais. Ao todo, 25 acionistas ou donos no quadro social de companhias como Prevent Senior, MRV Engenharia, Grendene e Riachuelo, entre outras, abriram essas empresas com objetivos que foram desde a compra de imóveis e iates, até a economia de impostos e a proteção de suas fortunas contra crises políticas e econômicas do Brasil.

Paulo Guedes, ministro da Economia de Jair Bolsonaro © José Cruz/ Agência Brasil Paulo Guedes, ministro da Economia de Jair Bolsonaro

“As offshores são legais, foram declaradas, não houve movimentação para trazer dinheiro do exterior, nem envio de dinheiro para o exterior desde que eu enviei o dinheiro, em 2014 ou 2015”, disse Guedes.

O ministro, que antes de assumir o cargo tinha participações em investimentos nas áreas de educação e saúde, disse ainda que vendeu tudo pelo valor de investimento antes mesmo de poder colher os resultados, justamente para evitar qualquer conflito de interesse.

“Perdi muito dinheiro vindo aqui (governo), exatamente para evitar problemas. Tudo que estava nas minhas mãos eu vendi a preço de investimento. Perdi muito mais do que o valor dessa companhia que está declarada no exterior. Ninguém fez nada de errado. Qualquer dinheiro que esteja lá tem gestores independentes, em jurisdições que não têm influência de minhas ações”, afirmou Guedes.

Investigação revela operações de ao menos 35 líderes mundiais em paraísos fiscais

  Investigação revela operações de ao menos 35 líderes mundiais em paraísos fiscais GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - Uma investigação global capitaneada por mais de 140 veículos jornalísticos de 117 países começou a revelar neste domingo (3) a existência de contas e empresas offshore em paraísos fiscais relacionadas a 35 líderes e ex-líderes mundiais, além de figuras ligadas a eles e centenas de funcionários públicos e investidores bilionários. Criado fora do país de origem do proprietário, esse tipo de atividade financeira não é ilegal, mas pode ser usado para evitar o pagamento de impostos, esconder a real identidade do proprietário e facilitar lavagem de dinheiro para atividades ilícitas.

Pelos dados divulgados pelo ICIJ, Guedes possui desde 2014 uma offshore chamada Dreadnoughts International e depositou US$ 9,54 milhões na conta da empresa. Segundo a piauí, o ministro se manteve no controle direto da empresa mesmo depois de ingressar no governo – Guedes e sua defesa, por sua vez, afirmam que ele saiu da gestão antes de assumir o Ministério.

O episódio levou o plenário da Câmara dos Deputados a aprovar, por 310 votos a 142, uma convocação de Guedes para prestar esclarecimentos. Por ser convocação, o ministro terá de comparecer à audiência, que ainda terá a data definida. A ausência sem justificativa seria crime de responsabilidade. A aprovação do requerimento se deu com apoio até mesmo de deputados governistas, numa Casa comandada por Arthur Lira (Progressistas-AL), um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro.

“Não há qualquer conflito de interesse. Tudo é claro, legal e declarado”, insistiu Guedes. “O resto é só barulho, e ficará pior à medida que nos aproximamos da eleição”, afirmou o ministro, classificando as reações de “ataques pessoais”.

Guedes contou ainda que possui um “blind trust”, tipo de fundo em que os ativos são administrados sem conhecimento do beneficiário – que, neste caso, por ser ministro, tem acesso a dados sensíveis e poder de decisão sobre os rumos da economia.

“Eu tenho um ‘blind trust’, não quero mencionar o banco, mas provavelmente você sabe muito bem o nome do banco, para investimentos neste país. Um ‘blind trust’ para investimentos dentro do país”, afirmou Guedes durante o evento do Itaú.

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