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Brasil: 'Eu não quero fazer panfleto político', diz Wagner Moura

Bolsonaro veio do esgoto da história, diz Wagner Moura, que agora lança 'Marighella'

  Bolsonaro veio do esgoto da história, diz Wagner Moura, que agora lança 'Marighella' SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O caminho para lançar sua estreia na direção foi muito mais longo do que imaginou, mas Wagner Moura sente certo alívio por enfim poder levar "Marighella" aos cinemas. Marcado por adiamentos, o filme embarca numa turnê de pré-estreias pelo país nesta segunda-feira, e chega ao circuito no dia 4 de novembro. Originalmente, a previsão era que ele chegasse ao público há dois anos, mas a pandemia e um imbróglio envolvendo a Ancine, a Agência Nacional do Cinema, impossibilitaram o lançamento em ao menos duas ocasiões anteriores.

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Wagner Moura sabe o que é polêmica. Seu Capitão Nascimento de Tropa de Elite, dirigido por José Padilha, foi alvo de debates, discussões acaloradas, artigos inflamados. “Isso é bom. É democrático”, disse ele, em entrevista ao Estadão, em um hotel em São Paulo. “Mas, naquela época, ninguém tentou embargar o filme.”

Com Marighella, seu primeiro longa-metragem como diretor, que finalmente chega ao Brasil dois anos e nove meses depois de sua première mundial no Festival de Berlim, foi diferente. “Dirigir foi muito prazeroso”, afirmou, sobre o filme que tem pré-estreia a partir desta segunda, 1º, e lançamento oficial na quinta, 4. “O mais difícil foi enfrentar o extracampo, o fascismo, os ataques, a violência, a falta de grana. Nunca a gente teve paz. Hoje, estão dando nota baixa no IMDb sem ter visto. Não para. É o governo federal atacando.”

Flamengo garante primeiro 'reforço' para 2022; medalhão é velho conhecido

  Flamengo garante primeiro 'reforço' para 2022; medalhão é velho conhecido Flamengo já tem reforço garantido para a temporada de 2022. O jogador, Hugo Moura, velho conhecido da torcida rubro-negra, não faz mais parte do elenco do Lugano, da Suíça e retorna ao Brasil, para reforçar elenco do Mais Querido. As informações preliminares foram divulgadas pelo jornal “O Dia”. O jogador foi transferido para clube europeu em agosto desse ano, após pedido do brasileiro e ex-técnico do Flamengo Abel Braga, que na época comandava a equipe suíça, mas antes que o volante pusesse os pés no gramado e estreasse com a camisa do Lugano, time foi vendido e tanto técnico como jogador deixaram de fazer parte dos planos do clube.

Wagner Moura, diretor do filme 'Marighella' © Tiago Queiroz/Estadão Wagner Moura, diretor do filme 'Marighella'

O filme sobre Carlos Marighella, que pegou em armas para resistir à ditadura militar, teve negados vários pedidos de comercialização junto à Ancine. A pandemia contribuiu ainda mais para o atraso de seu lançamento. Mas as pré-estreias em Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo na semana passada deixaram Wagner Moura cansado, porém energizado a brigar pelo que fez. “Não tenho medo. Só acho triste”, disse. “Por um tempo fiquei pensando: ‘Caramba, fiz um filme polêmico’. Mas hoje tenho consciência absoluta de que toda essa história tem mais a ver com o tempo que vivemos do que com o filme.”

Wagner Moura tinha vontade de dirigir, mas não imaginava que seria algo da magnitude de Marighella, uma produção cheia de cenas de ação, mas que abre espaço para os momentos de dúvida, de contestação, de leveza, de humanidade. “Eu me interesso pelas pessoas. Todos os personagens, todos os guerrilheiros, estão vivos na tela, são pessoas com conflitos”, disse. “Se não, viraria vetor de um panfleto político. E quem quer ver isso? Eu não quero.”

Empresário de Lucas Moura é direto sobre chance do atacante retornar ao São Paulo: "Ele é"

  Empresário de Lucas Moura é direto sobre chance do atacante retornar ao São Paulo: Lucas Moura é muito querido pela torcida do São Paulo. O atacante também sempre demonstrou gratidão pelo clube e deixa os tricolores esperançosos de vê-lo novamente no Morumbi. O jogador de 29 anos atualmente veste a camisa Tottenham, é considerado importante no clube inglês e tem moral com o técnico Nuno Espírito Santo. Nas redes sociais, o torcedor são-paulino, que sonha com reforços de peso para 2022, começou a debater mais uma vez a chance de Lucas voltar ao Tricolor Paulista. No entanto, é mínima a possibilidade disso acontecer no próximo ano. Quem informa é o próprio agente do craque, Junior Pedroso.

Hino

O ator e diretor nasceu em 1976, no meio da ditadura militar e após o assassinato de Marighella pelas forças de repressão da ditadura, em 4 de novembro de 1969. Ele se lembra de cantar o Hino à Bandeira diariamente na escola, com o professor chamando o golpe de 1964 de revolução, como em uma cena do filme. “Éramos adestrados nessa narrativa”, disse. Seu pai, militar, não era muito politizado. Seu interesse por política foi chegando aos poucos. Hoje, militante pelos direitos humanos, especialmente contra o trabalho escravo, lembra-se de presenciar situações de escravização constantemente, em Rodelas, na Bahia, onde nasceu. “Eu achava que aquilo era normal”, contou. “Quando você vai crescendo, vai repensando as coisas. E aí vai dando raiva. Muito da militância vem da raiva, porque nosso País é injusto, desigual.”

Foi então que Moura começou a se interessar pelas pessoas que resistiram ou se rebelaram. Por exemplo, Carlos Marighella, baiano como ele e avô de sua amiga Maria Marighella. Foi ela quem lhe mostrou o livro Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo, de Mário Magalhães. Na hora, ele soube que queria ver o longa e produzir. Acabou dirigindo também. “O filme nasce da minha admiração por ele? Claro”, disse Moura. “Mas não estou aqui para defendê-lo. Marighella é colocado em xeque o filme inteiro, por todo o mundo, o tempo todo.” Em um deles, a sua companheira Clara (Adriana Esteves) diz que existem outras formas de resistência e que não admite que Marighella fale de luta armada com superioridade moral – Clara resistia à sua maneira. Tinha muita gente que não pegou em arma e mesmo assim foi torturada e morta. O diretor destaca o papel do jornalismo, tão atacado ainda hoje, e que sofria censura na época. “Assista e tire suas conclusões”, completou Wagner Moura.

Seu Jorge diz que ataques a 'Marighella' são racistas e país não sabe lidar com isso

  Seu Jorge diz que ataques a 'Marighella' são racistas e país não sabe lidar com isso SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando foi convidado para viver Carlos Marighella na biografia do escritor e guerrilheiro que chega agora aos cinemas, Seu Jorge não hesitou. Ele não era exatamente um expert na trajetória do baiano, mas foi conquistado, logo de cara, por Wagner Moura —ator que ele havia visto nos palcos em 2000, na peça "A Máquina", e que admirava desde então. Saber que ele se aventuraria, agora, na direção, bastou para o músico dizer "sim" ao papel. Estreia de Moura na cadeira de diretor, "Marighella" acompanha os últimos anos do guerrilheiro comunista, quando fazia frente à ditadura militar.

'Acho bom estar em Los Angeles, mas minha casa é na Bahia'

Boa parte do tempo em que ficou na expectativa e na briga para lançar Marighella no Brasil, Wagner Moura passou fora do País. Em 2018, ele foi aos Estados Unidos para filmar Sergio, a biografia do diplomata brasileiro Sergio Vieira de Mello. Acabou ficando. Mas afirmar que mora hoje em Los Angeles é um passo que o ator e diretor tem dificuldades de dar. “Estou sempre morando onde estou trabalhando”, disse ele, que viveu com a família na Colômbia na época de Narcos. “Acho bom estar em Los Angeles. Mas, dentro de mim, minha casa é na Bahia.”

Cena do filme 'Marighella'   © Ariela Bueno/Divulgação Cena do filme 'Marighella'

Em termos de trabalho, não vê tanta diferença em estar em Los Angeles ou em Salvador, especialmente durante a pandemia. “Eu posso conhecer um diretor pessoalmente, e essa conexão pessoal ser mais interessante, mas conversei com tanta gente por zoom e foi tão igual”, disse. O que está sendo interessante é a vivência familiar de experimentar outro lugar. “Meus filhos falarem inglês, se virarem, deixarem a casa mais grossa”, contou Moura, pai de Bem, Salvador e José, do casamento com a fotógrafa Sandra Delgado.

Bolsonaristas atacam Wagner Moura no Twitter depois de críticas ao governo

  Bolsonaristas atacam Wagner Moura no Twitter depois de críticas ao governo Em entrevista no Roda Viva, artista afirmou que chefe do Executivo faz terrorismo no BrasilNa entrevista, o artista também disse que é preciso uma renovação na política para além da eleição para presidente do ano que vem.

Houve momentos difíceis. Quando a vereadora Marielle Franco foi assassinada, ele queria estar aqui. Na pandemia, também foi dureza. Wagner Moura costuma ler diariamente todos os jornais brasileiros. “Tive momentos de angústia, vendo a tragédia no Brasil. Aí você vê o presidente falando besteira, hoje, relacionando vacina com aids. Ele tem de responder, porque é um negócio absurdo”, disse. “Eu pensava: o que estou fazendo aqui? Se é para ficar em casa, fico na Bahia.” Mas, com as fronteiras fechadas, precisou permanecer nos Estados Unidos.

Quando a produção de séries e filmes foi retomada, ele rodou um filme com os irmãos Russo, de Os Vingadores, e uma série para o Apple TV+ chamada Shining Girls, ao lado de Elisabeth Moss. Moura pretende um dia se dirigir em um filme, mas o projeto não existe ainda. “Estou muito animado em trabalhar como ator.” Em 2022, planeja rodar o novo longa de Kleber Mendonça Filho, no Brasil. “Acho que é uma hora boa de vir”, disse.

Bruno Gagliasso em cena do filme 'Marighella', de Wagner Moura © Ariela Bueno/Divulgação Bruno Gagliasso em cena do filme 'Marighella', de Wagner Moura

Mario Frias proíbe exigência de passaporte da vacina em iniciativas da Lei Rouanet .
Secretário especial da Cultura, Mario Frias, proibiu a exigência de vacina em projetos financiados pela Lei Rouanet em cidades ou Estados sem o passaporte sanitário. © Fornecido por Catraca Livre De acordo com a Portaria n.º 44 (de 5 de novembro de 2021) os organizadores não poderão adotar o protocolo de pedir, por conta própria, a comprovação de imunização pelos frequentadores. Os projetos devem seguir só os protocolos sanitários já estabelecidos, como aferição de temperatura, exames de testes para covid-19 e uso de materiais de higiene.

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