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Meio Ambiente: Carne e soja pressionam a Terra Indígena Karipuna

Território ocupado pela agricultura triplica no Brasil e soja já ocupa área maior que a Itália

  Território ocupado pela agricultura triplica no Brasil e soja já ocupa área maior que a Itália MapBiomas mostra que leguminosa já toma 4,53% do País, com 36 milhões de hectares plantados, do total de 55 milhões; metade do cultivo está no CerradoRIO - A área ocupada pelas lavouras no Brasil triplicou entre 1985 e 2020, passando de 19 milhões de hectares para 55 milhões. Desse total registrado no ano passado, 36 milhões são ocupados apenas por plantações de soja. Sozinha, a leguminosa ocupa 4,3% do território nacional – uma área superior à de países como Itália e Vietnã. As informações são do MapBiomas, que analisou imagens de satélite deste período. Foram divulgadas na manhã desta quarta-feira, 20.

Por Greenpeace Brasil e Greenpeace – Monitoramento recente feito pelo povo Karipuna, o Greenpeace Brasil e pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) na Terra Indígena Karipuna, em Rondônia, identificou uma nova frente de desmatamento naquela região.

  Carne e soja pressionam a Terra Indígena Karipuna © Fornecido por eCycle

Uma incursão a campo encontrou 850 hectares de desmatamento ilegal nos últimos doze meses dentro da Terra Indígena – um aumento de 44% em relação ao período anterior. Por ali, foram encontradas áreas com mais de 100 hectares de corte raso. A grilagem de terras e a destruição em larga escala da floresta colocam em risco a sobrevivência do povo Karipuna – e dos povos que vivem em isolamento voluntário naquela região.

Brasil fez lobby para mudar relatório climático, diz Greenpeace

  Brasil fez lobby para mudar relatório climático, diz Greenpeace Documentos vazados obtidos pela ONG mostram que país está entre grandes produtores de carne bovina, carvão e petróleo que pressionaram por mudanças em texto do IPCC sobre o aquecimento global. © Getty Images/AFP/A. Scorza Grande produtor de carne, Brasil pressionou para que trechos promovendo dieta vegetariana fossem removidos de relatório, segundo o Greenpeace Vários países, entre eles o Brasil, tentaram fazer mudanças em um crucial relatório da ONU sobre como combater o aquecimento global, afirmou o Greenpeace nesta quinta-feira (21/10), citando um grande vazamento de documentos.

A produção de carne e soja pressiona as florestas daquela área: a pecuária cresceu 87% no município de Porto Velho nos últimos nove anos e o território voltado à produção de soja em Rondônia triplicou na última década, passando de 111 mil hectares para 400 mil hectares em 2020.

Nova frente

O rio Formoso – uma área que não concentrava atividades de grilagem, situada no sudeste do território indígena e mais distante dos grandes centros de exploração ilegal e predatória de Rondônia – começou a apresentar números cada vez maiores de desmatamento. Anteriormente, o desmatamento aparecia mais no noroeste da Terra Indígena.

Entre agosto de 2020 e julho de 2021 a região do rio Formoso registrou 510,3 hectares desmatados – 65% do total de novos desmatamentos verificados no interior da Terra Indígena Karipuna no ano inteiro. Desse total, 94,7% – ou seja, 483,77 hectares – foram desmatados em 2021, entre janeiro e junho deste ano.

"Estamos em luto pela morte de crianças yanomami", diz liderança

  Presidente do Conselho de Saúde Indígena Yanomami denuncia que garimpo ilegal segue operando na terra indígena mesmo após a morte de dois primos, de 4 e 5 anos, que teriam sido sugados por draga de minérios ao nadarem. © Acervo ISA Garimpo na Terra Indígena Yanomami: estima-se que mais de 20 mil garimpeiros estejam no território atualmente As famílias de duas crianças indígenas mortas, ao que tudo indica em consequência do garimpo na Terra Indígena (TI) Yanomami, entre os estados de Roraima e Amazonas, ainda estão em luto.

Ataque legislativo

A Terra Indígena Karipuna é um dos territórios gravemente prejudicados pela Lei Complementar 1089/2021, que aprovou a redução, em abril de 2021, da Reserva Extrativista Jaci-Paraná e do Parque Estadual Guajará-Mirim.

Essas duas áreas protegidas funcionavam como “escudos” que dificultavam a entrada de desmatadores dentro da TI Karipuna. Com a redução dessas áreas protegidas, por decisão do governador do Rondônia, Marcos Rocha (PSL) – que sancionou a lei em maio – o território do povo Karipuna ficou aberto para a entrada de grileiros e madeireiros que, impulsionados pela política anti-indígena e antiambientalista do Governo Bolsonaro, ameaçam a integridade física, cultural e territorial dos Karipuna e dos povos isolados que circulam naquela área.

Na ocasião, a Reserva Extrativista Jaci-Paraná perdeu 168 mil hectares (quase 90% de seu território) e o Parque Estadual Guajará-Mirim perdeu 55 mil hectares. O ataque legislativo contra as áreas protegidas de Rondônia continua: em setembro, uma nova lei de zoneamento ecológico foi aprovada pelos deputados, abrindo diversas terras para a criação de gado e a plantação de soja.

Embargo chinês derruba cotação no campo, mas carne continua cara no prato

  Embargo chinês derruba cotação no campo, mas carne continua cara no prato No interior paulista, por exemplo, a cotação média da arroba caiu 13% entre agosto, antes do embargo, e meados de outubro, segundo o diretor da consultoria Athenagro, Maurício Palma Nogueira No interior paulista, por exemplo, a cotação média da arroba caiu 13% entre agosto, antes do embargo, e meados de outubro, segundo o diretor da consultoria Athe . No mesmo período, o preço da carne desossada no atacado paulista recuou muito menos, quase 1%, observa o consultor.

Crise climática

Líder do povo Karipuna, Adriano Karipuna disse que as autoridades precisam viabilizar meios de proteger o território: “O monitoramento da floresta, feito por nós junto aos parceiros, nos ajuda a entender o que acontece dentro de nossa terra e é fundamental para denunciar atividades ilegais. O Estado deve implementar um plano de proteção permanente para nosso território, com o objetivo de acabar com as invasões e o roubo de madeira de nossa floresta”.

A missionária do CIMI Rondônia, Laura Vicuña, contou que a destruição verificada no chão da floresta guarda relação muito próxima com as grandes discussões globais, como o enfrentamento das mudanças climáticas.

“A crise climática começa aqui, com territórios indígenas sendo saqueados, povos indígenas sendo atacados enquanto um governo negligente e conivente não cumpre seu papel para proteger nosso povo e recursos naturais. Para mitigar os impactos da emergência climática, os governos deveriam aumentar as terras protegidas em vez de reduzí-las”, disse Laura, que acumula mais de 20 anos de trabalho junto aos povos indígenas.

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Invasão e destruição

Coordenador do Projeto Todos os Olhos na Amazônia, do Greenpeace Brasil, Oliver Salge disse que o Brasil ‘fecha os olhos’ para os criminosos ambientais: “Enquanto o mundo busca desesperadamente soluções para a crise climática na COP 26, o Brasil faz exatamente o contrário e permite que criminosos invadam áreas protegidas e destruam a casa dos povos indígenas”.

A Terra Indígena Karipuna possui 152 mil hectares e está situada a 100 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia. Ela é cercada por fazendas e vem sendo invadida e desmatada desde 2015 – mais de 5 mil hectares de florestas já foram destruídos nos últimos seis anos.

Este texto foi originalmente publicado por Greenpeace de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original.

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