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Meio Ambiente: Fundo Amazônia +10 tem a adesão de dez Estados e recursos iniciais de R$ 100 milhões da FAPESP

Fapesp terá fundo de R$ 100 milhões para projetos voltados para a Amazônia

  Fapesp terá fundo de R$ 100 milhões para projetos voltados para a Amazônia Anúncio para fundação ligada ao governo paulista antecede cúpula do clima, que começa em Glasgow na semana que vemDUBAI - Governadores de dez Estados brasileiros que estarão semana que vem na Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança Climática, (COP-26) em Glasgow, anunciarão no evento um projeto batizado de Amazônia + 10. A iniciativa conjunta tem a participação de São Paulo e os nove Estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins).

  Fundo Amazônia +10 tem a adesão de dez Estados e recursos iniciais de R$ 100 milhões da FAPESP © Fornecido por eCycle

Por Agência FAPESP – Secretários da área de ciência e tecnologia de dez Estados brasileiros e representantes das respectivas fundações de amparo à pesquisa (FAPs) reúnem-se quinta-feira (04/11), em Brasília, para os acertos finais do lançamento do edital Fundo Amazônia +10, uma iniciativa conjunta de São Paulo, Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação na Amazônia Legal.

O Fundo se inicia com a determinação da FAPESP de alocar até R$ 100 milhões para projetos de pesquisadores paulistas, em colaboração com pesquisadores da região Norte, orientados à conservação da biodiversidade e mudanças climáticas, à proteção de populações e comunidades tradicionais, aos desafios urbanos e bioeconomia como política de desenvolvimento econômico na região da Amazônia Legal. O valor do investimento poderá chegar a R$ 500 milhões com a adesão de governos, empresas e organizações internacionais.

Carlos Nobre: “O desafio brasileiro vai além da Amazônia. Não dá mais para jogar para o futuro”

  Carlos Nobre: “O desafio brasileiro vai além da Amazônia. Não dá mais para jogar para o futuro” Cientista afirma que o país chega à COP26 como uma grande preocupação global e que precisa apresentar metas mais ambiciosas caso queira recuperar credibilidadeNobre considera insuficiente a proposta do vice-presidente Hamilton Mourão, presidente do Conselho da Amazônia, de antecipar em dois ou três anos o fim do desmatamento ilegal —antes previsto para 2030. Até porque, explica Nobre, existe uma “indústria da legalização do crime ambiental”, isto é, o desmatamento ilegal pode, amanhã, acaba sendo legalizado pelo Congresso, como ocorreu outras vezes.

O lançamento do Fundo Amazônia +10 foi anunciado pela secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patrícia Ellen, durante evento on-line na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, (COP-26) em Glasgow, na Escócia, no dia 1º de novembro, na presença do governador João Doria, de secretários da área de ciência, tecnologia e inovação de nove Estados da região e dos presidentes da FAPESP, Marco Antonio Zago, e do Conselho das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Odir Dellagostin, entre outros. Na reunião, o secretário de Ciência e Tecnologia do Pará, Carlos Maneschy, anunciou aporte de recursos ao Fundo de até R$ 20 milhões.

“Temos aqui a união dos nove Estados da Amazônia Legal e de São Paulo. A FAPESP, nas últimas décadas, foi a Fundação de Amparo à Pesquisa que mais investiu em ciência e tecnologia na Amazônia Legal. Esse investimento pode ser otimizado se passarmos a trabalhar de forma conjunta”, afirmou Patrícia Ellen, referindo-se a um total de R$ 655 milhões que a FAPESP destinou a mais de 3 mil projetos de pesquisa na região desde 1994. O edital Fundo Amazônia +10 priorizará projetos patrocinados por, ao menos, três Estados da região.

Um Brasil de origem

  Um Brasil de origem Por Marcos Pivetta em Revista Pesquisa FAPESP - Um movimento silencioso de valorização de produtos oriundos de áreas específicas do território nacional, quase todos derivados da agropecuária e do manejo de recursos naturais, consolidou-se e ganhou corpo, literalmente, de norte a sul no Brasil nas duas últimas décadas. Até meados de outubro deste ano, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) havia aprovado 88 indicações geográficas (IG) brasileiras, 68 na modalidade indicação de procedência (IP) e 20 na de denominação de origem (DO). Há IG em todas as grandes regiões do país.

O presidente da FAPESP lembrou que a Fundação tem uma história de mais de duas décadas de apoio à pesquisa em energia limpa, biodiversidade, mudanças climáticas, região amazônica e sustentabilidade. “Vamos fazer juntos”, afirmou. “Vivemos num único mundo, todos ligados ao futuro do mesmo planeta: países ricos, países pobres, países em desenvolvimento, Estados da Amazônia, Estados do Sul e Sudeste. Poluição e mudanças climáticas não respeitam divisões geográficas. As soluções para preservar florestas tropicais, melhorar as condições de vida das populações que vivem nesta vasta parcela do Brasil e, também, para frear as mudanças climáticas virão, em grande parte, da ciência.”

O anúncio do Fundo Amazônia +10 durante a COP-26 teve como objetivo atrair potenciais financiadores internacionais interessados na preservação e no desenvolvimento sustentável da região amazônica. Parte da delegação de São Paulo permanecerá em Glasgow nos próximos dias para buscar adesão de fundos nacionais e internacionais para atingir a meta de R$ 500 milhões.

Brasil, China e mais de cem países assinam acordo para zerar desmatamento até 2030

  Brasil, China e mais de cem países assinam acordo para zerar desmatamento até 2030 Acordo prevê US$ 19,2 bilhões em recursos públicos e privados para combater destruição de florestas, como a Amazônia. Instituições financeiras se comprometeram a não financiar produtos ligados ao desmatamento. Para Waack, a adesão ao texto traz mais oportunidades econômicas que prejuízos à agricultura brasileira."O setor empresarial que está no mercado internacional já percebeu que tem muito mais oportunidades que barreiras", disse o biólogo, que também é co-autor do livro Repensando a Amazônia.

Rafael Pontes Lima, secretário de Ciência e Tecnologia do Amapá, afirmou que é fundamental que a ciência e tecnologia transformem o enorme potencial da região. “Conhecemos os problemas. Integrados a São Paulo, poderemos resolver juntos.”

“É hora de ação”, disse o secretário de Ciência e Tecnologia do Pará. “Não há outro caminho que não seja a partir do conhecimento científico para empreendedores para dar escala. Precisamos criar redes de empresas e empreendedores para gerar riqueza e renda e melhor qualidade de vida para nossa população.”

De acordo com o presidente do Confap, que também preside a FAP do Rio Grande do Sul, a iniciativa já tem apoio de outros Estados, não só os da Amazônia legal. “Fazemos pesquisa qualificada. A situação da Amazônia merece a nossa atenção e precisamos colocar a ciência a serviço do desenvolvimento sustentável.”

Comunicado do Conselho Superior da FAPESP

Em comunicado à comunidade científica, o Conselho Superior da FAPESP afirma que a iniciativa da Fundação em conjunto com outros Estados é “um desdobramento de ações anteriores, a exemplo do Memorando de Entendimento para Cooperação em Ações de Ciência, Tecnologia e Inovação, assinado em 2017 por 23 FAPs” e que, neste momento, “é responsabilidade dos cientistas, das agências de apoio à pesquisa e dos governos responsáveis assumir ações que reflitam o engajamento da ciência brasileira para preservação do planeta”. Abaixo a íntegra do comunicado.

Novos laboratórios da USP buscam soluções para captura de CO2 no pré-sal e estocagem de energia solar

  Novos laboratórios da USP buscam soluções para captura de CO2 no pré-sal e estocagem de energia solar Agência FAPESP* – Cientistas ligados ao Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) estão desenvolvendo soluções para o armazenamento de energia solar e também para a captura e injeção de dióxido de carbono (CO2) nas profundezas do pré-sal durante a extração de gás natural. O RCGI é um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) constituído por FAPESP e Shell na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Essas inovações decorrem da criação de dois novos laboratórios – de Separação Supersônica e de Simulação Solar–, ambos instalados no Laboratório de Sistemas Energéticos Alternativos e Renováveis da Poli-USP.

O FUNDO AMAZÔNIA +10

Buscando ampliar seu papel histórico no apoio à pesquisa voltada para a sustentabilidade, a FAPESP está engajada na estruturação de um Fundo de Pesquisa para apoiar projetos e a formação de recursos humanos em temas relacionados à Amazônia, com foco na biodiversidade, nas mudanças climáticas, na bioeconomia e em contribuições da ciência e da tecnologia para a melhoria das condições de vida das populações.

O Fundo é uma iniciativa conjunta do Fórum de Secretários Estaduais de Ciência e Tecnologia e do Fórum das Fundações de Amparo à Pesquisa, envolvendo nove Fundações da região Norte.

Esta iniciativa é um desdobramento de ações anteriores da FAPESP, a exemplo do Memorando de Entendimento para Cooperação em Ações de Ciência, Tecnologia e Inovação, assinado em 2017 por 23 FAPs, por sugestão da FAPESP, que resultou em 14 editais conjuntos de pesquisa colaborativa cofinanciadas pela FAPESP e outras Fundações.

Promover a colaboração nacional e internacional é missão central das agências de pesquisa, e no caso da FAPESP a cooperação de pesquisadores de diferentes Unidades da Federação é uma prioridade. O percentual das publicações científicas com autores de São Paulo que também incluíam coautores de outras Unidades da Federação passou de 13% para 34% do total das publicações de São Paulo, entre 1995/97 e 2015/17. Estas publicações são mais citadas, em média, do que aquelas sem colaboração.

Cerrado ameaçado

  Cerrado ameaçado Por Ricardo Zorzetto em Revista Pesquisa FAPESP - O Cerrado, o segundo bioma brasileiro mais extenso e um dos mais ricos em diversidade de plantas e animais, encontra-se ameaçado. A rápida eliminação da vegetação nativa – que neste século ocorre ao ritmo de 0,5% de sua área ao ano, duas vezes superior ao observado na Amazônia – e a posterior conversão dessas terras em vastas pastagens e plantações de soja, milho, algodão e cana estão alterando a ecologia e o clima desse ecossistema de maneira que pode se tornar irreversível em algumas regiões. O Cerrado está hoje, nos meses de estiagem, até 4 graus Celsius (oC) mais quente do que nos anos 1960, além de mais seco.

A FAPESP sempre teve um papel relevante no financiamento à pesquisa de temas relacionados à Amazônia. De 1994 a 2021 a FAPESP alocou, em valores atualizados, R$ 654,9 milhões em projetos relacionados aos temas Amazônia ou Florestas Tropicais: foram 2.056 bolsas e 1.083 auxílios.

Neste momento crítico da vida nacional, em que a imagem e o impacto das ações do país na agenda mundial de sustentabilidade, clima e defesa do ambiente têm sofrido muito desgaste, é responsabilidade dos cientistas, das agências de apoio à pesquisa e dos governos responsáveis assumir ações que reflitam o engajamento da ciência brasileira para preservação do planeta. Convocamos toda a comunidade científica e empresarial paulista para participar desse movimento!

Conselho Superior da FAPESP

Este texto foi originalmente publicado por Agência Fapesp de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original.

Ministro do Meio Ambiente cobra mais dinheiro de países ricos, mas diz que negociações sobre Fundo Amazônia seguem paradas .
Fundo que conta com US$ 2,9 bilhões doados pela Noruega e Alemanha, mas está travado porque os dois países discordam de mudanças feitas pelo então ministro Ricardo Salles no conselho que administra os recursos.Abastecido principalmente pela Noruega (93,8%) e Alemanha (5,7%), o fundo conta atualmente com US$ 2,9 bilhões para ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento na Amazônia brasileira. Mas doadores suspenderam a aplicação do dinheiro em 2019, quando o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tentou reduzir o papel da sociedade civil no conselho que administra os repasses.

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