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Mundo: COP26: sob ameaça de um desaste climático global, líderes mundiais sob pressão em Glasgow

Metas mais ambiciosas da COP26 ainda estão distantes

  Metas mais ambiciosas da COP26 ainda estão distantes A sete dias do início da cúpula climática global em Glasgow, o ruído de anúncios e iniciativas está mais alto. Mas as chances de sucesso ainda são incertas. © Bloomberg Banners advertising the upcoming COP26 climate talks line a precinct in Glasgow, U.K., on Wednesday, Oct. 20, 2021. Glasgow will welcome world leaders and thousands of attendees for the crucial United Nations summit on climate change in November. Most Read from BloombergCities' Answer to Sprawl? Go Wild.

Mais de 120 líderes mundiais se reúnem em Glasgow a partir de segunda-feira (1) em uma "última chance" para enfrentar a crise climática e alertar sobre um desastre global que se aproxima. As expectativas são grandes para a COP26, após os compromissos tímidos alcançados pelo G20 em Roma. Jair Bolsonaro segue na Itália e será representado pelo ministro Joaquim Leite, do Meio Ambiente.

  COP26: sob ameaça de um desaste climático global, líderes mundiais sob pressão em Glasgow © AP - Alastair Grant

Observadores esperavam a reunião no final de semana na capital italiana dos líderes dos países do G20, que entre eles emitem quase 80% das emissões globais de carbono, daria um forte impulso à cúpula da COP26 em Glasgow, que foi adiada por um ano devido à pandemia.

Glasgow se prepara para a COP26 entre fumaça, inundações e covid

  Glasgow se prepara para a COP26 entre fumaça, inundações e covid Sob uma chuva fina, um grupo de ativistas climáticos americanos lança bombas de fumaça em Glasgow, cidade escocesa palco de uma COP26 crucial para o futuro do planeta que se prepara para receber líderes e manifestantes de todo o mundo. Shaun Clerkin, um residente de Glasgow, que observa os manifestantes americanos lançando bombas de fumaça, espera o pior. "Para ser sincero, acredito que a COP26 será um fracasso e uma mentira", opina o cidadão, de 60 anos, que acredita que os organizadores estão invadindo a vida dos habitantes, isolando os visitantes dos problemas sociais muito reais da cidade.

As principais economias do G20 se comprometeram no domingo com o objetivo principal de limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais - a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris de 2015.

Eles também concordaram em encerrar o financiamento para novas usinas de carvão no exterior - aquelas cujas emissões não passaram por qualquer processo de filtragem - até o final de 2021.

Mas isso não convenceu as ONGs, o primeiro-ministro britânico ou as Nações Unidas.

"Embora eu acolha o novo compromisso do G20 com soluções globais, deixo Roma com minhas esperanças não realizadas - mas pelo menos elas não estão enterradas", disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pelo Twitter.

"Avançamos (no G20). Chegamos a em uma posição razoável para a COP26 em Glasgow, mas será muito difícil nos próximos dias", disse Boris Johnson no domingo. “Se Glasgow falhar, então tudo falha", alertou o premiê britânico.

COP26 é inaugurada em Glasgow em contexto de urgência climática

  COP26 é inaugurada em Glasgow em contexto de urgência climática A Conferência da Mudança Climática da ONU (COP26) foi aberta neste domingo (31) em Glasgow, Escócia, com a importância de ser uma reunião que representa a "última oportunidade" para limitar o aquecimento do planeta. A conferência climática COP26 é "a última e a melhor esperança" de limitar o aquecimento global a +1,5ºC, o objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris, declarou seu presidente, Alok Sharma, em sua abertura. Durante a pandemia de covid-19, "a mudança climática não tirou férias.

O encontro de Glasgow, que vai até 12 de novembro, vem na esteira de eventos climáticos extremos em todo o mundo, ressaltando os impactos devastadores resultantes de 150 anos de queima de combustíveis fósseis.

Os atuais compromissos dos signatários do acordo de Paris - se fossem cumpridos - ainda levariam a um aquecimento "catastrófico" de 2,7 graus Celsius, segundo a ONU.

A COP26 marca a "última e melhor esperança de manter 1,5° C ao alcance", disse o presidente da cúpula, Alok Sharma, ao abrir a reunião no domingo.

"Se agirmos agora e juntos, podemos proteger nosso precioso planeta", disse.

Grupos de defesa do clima expressaram desapontamento com a declaração divulgada no final da cúpula do G20.

“Esses chamados líderes precisam demonstrar um comprometimento maior. Eles têm outra chance para isso”, disse Namrata Chowdhary, da ONG 350.org.

Experctativas sobre a Índia

Enquanto a China, de longe o maior poluidor de carbono do mundo, acaba de apresentar à ONU seu plano climático revisado, que repete uma meta de longa data de pico de emissões até 2030, a Índia está agora no centro das expectativas.

EUA dizem que ações concretas do Brasil importam mais que ausência de Bolsonaro em cúpula do clima

  EUA dizem que ações concretas do Brasil importam mais que ausência de Bolsonaro em cúpula do clima Lideranças de mais de cem países fixarão novos compromissos para evitar catástrofe ambiental. Brasil, crucial nestes esforços, participará sob pressão por causa do avanço do desmatamento e da política ambiental do governo."O mais importante para nós é o que vai ser colocado na mesa como objetivo sério e como é que isso vai ser cumprido", afirmou Kristina Rosales, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos para a América Latina, em entrevista à BBC News Brasil.

A Índia ainda não apresentou uma "contribuição nacionalmente determinada" revisada, mas se o primeiro-ministro Narendra Modi anunciar novos esforços para reduzir as emissões em seu discurso na segunda-feira, isso poderia colocar mais pressão sobre a China e outros países, disse Alden Meyer, um especialista em clima e energia do grupo de reflexão E3G.

Outro grande ausente da COP26 será Vladmir Putin, que há alguns anos declarou: “quem vai reclamar de alguns graus a mais?”, lembra a correspondente da RFI em Moscou, Anissa El Jabri.

Mas recentemente, diante de vastos incêndios na Sibéria e degelo do permafrost (tipo de solo que permanece com temperatura igual ou inferior a 0°C por dois ou mais anos) na Sibéria, Putin anunciou, para surpresa geral, a neutralidade de carbono até 2060. Uma guinada, mas a seu ritmo, diz a correspondente.

"Não no ano que vem. Não no mês que vem. Agora."

Outra questão urgente é o fracasso dos países ricos em desembolsar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para ajudar as nações em desenvolvimento a reduzir as emissões e se adaptar - uma promessa feita pela primeira vez em 2009.

Cem países prometem reduzir emissões de metano e salvar as florestas na COP26

  Cem países prometem reduzir emissões de metano e salvar as florestas na COP26 Cem líderes mundiais reunidos na grande conferência da ONU sobre o clima assinaram nesta terça-feira (2) compromissos para reduzir suas emissões do muito poluente metano e acabar com o desmatamento em 2030, buscando impulsionar negociações complicadas. No terceiro dia da COP26 na cidade escocesa de Glasgow, os líderes, convidados a participar com a esperança de que sua presença impulsione o diálogo, decidiram reduzir em 30% suas emissões de metano no final desta década.

Essa meta foi adiada para 2023, agravando a crise de confiança entre o Norte, responsável pelo aquecimento global, e o Sul, vítima de seus efeitos.

“O financiamento do clima não é caridade. É uma questão de justiça”, lembrou Lia Nicholson, representante da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, bastante vulneráveis ​​às alterações climáticas.

As previsões do painel de especialistas em clima da ONU (IPCC) de que o limite de um aumento de 1,5 Celsius poderia ser alcançado 10 anos antes do esperado, por volta de 2030, são "aterrorizantes", disse ela, especialmente para aqueles na linha de frente da crise climática que estão já sofrendo as consequências em um mundo que se aqueceu cerca de 1,1 grau Celsius.

Embora os presidentes da China e da Rússia não sejam esperados pessoalmente, dezenas de outros chefes de Estado e de governo, desde o presidente dos EUA, Joe Biden, a líderes da UE, e o australiano Scott Morrison, estão viajando para Glasgow.

Suas palavras e ações serão examinadas de perto, em particular pelos jovens ativistas que viajaram para a Escócia, apesar dos obstáculos devido à pandemia.

"Como cidadãos de todo o planeta, pedimos que enfrentem a emergência climática", declararam em uma carta aberta. Entre os signatários está a ativista sueca Greta Thunberg, que chegou no domingo de trem.

O presidente Jair Bolsonaro não participa da COP26. O Brasil será representado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite enquanto Bolsonaro continua sua viagem pela Itália. O governo do Brasil espera convencer o mundo de que passou a levar a sério o desmatamento da Amazônia e que integrou um planejamento de crescimento verde na sua economia. Mas, na prática, o maior compromisso do país com a comunidade internacional chega atualizado "para pior" no evento.

Nesta segunda-feira, o presidente brasileiro vai à Anguillara Vêneta, cidadezinha com 4 mil habitantes na região do Veneto no nordeste da Itália, onde nasceu seu bisavô Vittorio Bolzonaro. O presidente brasileiro receberá o título de Cidadão Honorário do Município dado pela prefeita Alessandra Buoso, da Liga, partido de extrema direita.

(com AFP)

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