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Mundo: Desenvolvimento econômico e sustentável ganha força na Amazônia

COP26: Por que Brasil é crucial para evitar efeito catastrófico das mudanças climáticas

  COP26: Por que Brasil é crucial para evitar efeito catastrófico das mudanças climáticas O Brasil é o quarto maior emissor de gás carbônico do mundo, segundo um estudo recente. E a Amazônia pode, sozinha, colocar por terra as metas de controle do aquecimento global, se continuar a ser desmatada no ritmo atual.Isso não se deve apenas à importância singular da Amazônia no equilíbrio do clima. O Brasil é, atualmente, o sexto maior emissor de gases do efeito estufa. E um estudo recente publicado pela Carbon Brief, revista especializada em estudos sobre mudanças climáticas, mostrou que o Brasil é o quarto maior emissor histórico de gás carbônico em números absolutos — atrás apenas de EUA, China e Rússia.

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No início de 2022, quatro comunidades amazônicas começarão a produzir seu próprio chocolate. Embalado, com um nome escolhido por elas no rótulo, feito como o cacau local, com origem rastreável e carregando a história e os valores da floresta. Trata-se de um passo a mais em direção a um processo de transformação da região, agregação de valor a seus produtos e inclusão no mundo via desenvolvimento econômico sustentável.

Enquanto o mundo discute formas de diminuir os efeitos das mudanças climáticas, projetos como esse, com potencial de unir desenvolvimento verde e renda na maior floresta tropical do mundo, se colocam em marcha no Brasil. Às margens de qualquer política pública, apontam para uma possível saída para a enrascada ambiental atual.

Mourão anunciou e tratou como existente intervenção militar na Amazônia que Bolsonaro desautorizou

  Mourão anunciou e tratou como existente intervenção militar na Amazônia que Bolsonaro desautorizou BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desautorizou uma intervenção militar na Amazônia que seu vice, Hamilton Mourão, anunciou e tratou como existente durante 45 dias. Militares atuaram na região, apesar de inexistir um decreto presidencial respaldando uma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem). A Vice-Presidência e o Ministério da Defesa afirmam que a atuação das Forças Armadas se restringiu a ações de logística e inteligência, sem relação com GLO. Mourão preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal.

Há uma semana que líderes mundiais, cientistas e negociadores internacionais tateiam uma saída possível. Reunidos em Glasgow, na Escócia, na COP-26, a cúpula do clima da ONU, procuram consensos sob a pressão da urgência.

Cooperativa de 172 pequenos e médios produtores rurais de Tomé-Açu, localizada 240 km ao sul de Belém, fatura R$ 46,5 milhões anuais  © OSVALDO FORTE/ESTADAO Cooperativa de 172 pequenos e médios produtores rurais de Tomé-Açu, localizada 240 km ao sul de Belém, fatura R$ 46,5 milhões anuais

Chocolate

Distante milhares de quilômetros do Reino Unido, as comunidades que produzem seus próprios chocolates estão no Pará. São comunidades ribeirinha, extrativista, quilombola e uma gerida por mulheres trabalhadoras. O sucesso não vai ocorrer do dia para a noite, mas será resultado de um longo processo de preparação, treinamento, inclusão e autonomia desenvolvido pelo projeto Amazônia 4.0, que na última semana se transformou em fundação. Ela é resultado do trabalho dos irmãos Carlos Nobre, climatologista, e Ismael Nobre, biólogo.

Surgem indícios de aumento da população de peixes-boi na Amazônia

  Surgem indícios de aumento da população de peixes-boi na Amazônia Por Sibélia Zanon em WRI Brasil - Depois de intensa caça para fins comerciais nas décadas de 1930 a 50, cientistas e comunitários apontam indícios de que a população de peixes-boi está crescendo na Amazônia. Estudo feito na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no Amazonas, mostra alta ocupação do peixe-boi perto de comunidades humanas. Dentro da reserva, comunitários e animais vivem em harmonia. As ameaças, porém, continuam na forma de caça ilícita e captura acidental. Filhotes resgatados são levados a centros de reabilitação, que estão carentes de verba e estrutura, além de lotados.

O foco é manter a floresta em pé e desenvolver economicamente a região pela tecnologia, inteligência artificial e do que há de mais moderno e acessível. Ismael explica que o modelo se baseia em capacitar as comunidades para usar a tecnologia e levar um modelo de biofábricas para a floresta. "Hoje, o quilo do cacau é vendido a R$ 15, é negociado na Bolsa de Nova York. Mas, se não vendermos a matéria-prima assim e agregarmos valor em um produto com rótulo local, com a história da comunidade, da floresta, isso pode ir de R$ 200 a R$ 300 o quilo", afirma.


Video: Amazon lança tecnologia de fazer pagamentos usando a palma da mão (KameraOne)

No início do ano que vem, esse modelo será colocado a prova. "Não dá para esperar mais 30 anos em um processo que não coloque a floresta como o principal ativo da Amazônia", diz Ismael. Para ele, esse norte poderia ser perseguido por uma política de estado no Brasil, mas ele não conta com isso. "Formatamos o projeto para funcionar sem a participação do governo. Não podemos depender da política."

Seleção de negócios na bioeconomia amazônica

  Seleção de negócios na bioeconomia amazônica Por Página22 - De 8 a 11 de novembro, empreendedores de 12 negócios selecionados pela aceleradora de impacto AMAZ estarão juntos em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas, em uma jornada de imersão para desenvolver seus planos de negócios e tese de impacto socioambiental na Amazônia. A pré-aceleração prossegue ao longo de todo o mês de novembro, virtualmente, com acesso a assessorias, mentorias e apoio técnico da equipe da AMAZ e do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam). O desempenho dos negócios nesse período definirá em dezembro os seis que serão acelerados e receberão investimento de R$ 200 mil em 2022.

Mais projetos

Ao Amazônia 4.0 se somará um projeto a ser lançado nesta terça-feira, 9, na COP-26. Desenvolvido pela organização Uma Concertação Pela Amazônia, uma rede de mais de 400 líderes, o objetivo é mudar a visão do Brasil sobre a região e transformar a floresta em ativo econômico. A rede é formada por representantes dos setores público e privado, academia e sociedade civil, reunida para buscar propostas e projetos para a floresta e as pessoas que vivem na região. O primeiro passo foi criar uma base de conhecimento sistematizado da região, que vai de educação a cultura, de infraestrutura ao uso da terra, de negócios a cooperação internacional. "O que está sendo feito é pegar tudo o que existe e está dando certo e mostrar que é possível ter convergência", diz a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, que faz parte da rede.

Foram montados grupos de trabalho orientados com foco em temas como bioeconomia, engajamento do setor privado, juventude e ordenamento do território. Nesses núcleos passaram a discutir como ampliar projetos-chave para a região. Não se trata de valorizar apenas o que já existe, mas de levar inovações em políticas ambientais, sociais e econômicas e reconhecer a importância da forma como os povos locais se organizam. "Qualquer projeto de desenvolvimento tem que respeitar o desejo da população (para a Amazônia), principalmente da local", diz o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, que enxerga possibilidades grandes para a região e se dedica a estudar, por exemplo, o mercado de crédito de carbono – um dos temas-chave em discussão em Glasgow.

Projeto Floresta+ Amazônia apresenta plano de gestão ambiental e social

  Projeto Floresta+ Amazônia apresenta plano de gestão ambiental e social Por Nações Unidas Brasil em Nações Unidas Brasil – O Projeto Floresta+ Amazônia lançou seu Plano de Gestão Ambiental e Social, elaborado com o objetivo de garantir a efetiva gestão socioambiental da iniciativa. O projeto, que remunera quem protege e recupera a floresta e contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa, é implementado por meio de parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF). O plano é uma resposta ao cumprimento de salvaguardas sociais e ambientais do PNUD e de REDD+ (Redução das Emissões por Desmatamento e da Degradação florestal).

O desafio

O desafio, diz Levy, é levar para a região as inovações sem afetar a floresta. Ele cita o exemplo do dendê e da possibilidade de desenvolver biocombustível para a aviação a partir do fruto sem ter que derrubar a floresta. "Tem gente que gosta e tem gente que não gosta da ideia, mas a aviação também vai passar pela eletrificação das aeronaves. Mas isso vai levar um tempo", diz. "Enquanto isso, é possível criar um mercado, uma janela para o investimento em um combustível que não e fóssil. A oportunidade existe."

Enquanto isso, como mostrou o Estadão em setembro, a Cooperativa Agrícola Mista, com 172 produtores rurais de Tomé-Açu, 240 quilômetros ao sul de Belém, já explora recursos da Amazônia e produz polpa de fruta, pimenta-do-reino e cacau. Fatura R$ 46,5 milhões anuais.

Nasce mercado em que se paga por serviços ambientais

Da necessidade de manter a floresta em pé, nasce outro mercado, o de crédito de carbono e o pagamento por serviços ambientais. Como o Estadão mostrou na semana passada, projetos de remuneração de produtores rurais que protegem as áreas nativas no Norte e Centro-Oeste do Brasil já estão em marcha. A aprovação do CPRVerde, certidão de crédito sustentável impulsionou um mercado estimado pelo governo federal em R$ 30 bilhões nos próximos quatro anos.

O projeto passa pela mudança na forma como a população encara a Amazônia. A floresta não pode ser um problema, mas a solução. "Minha vontade é que o brasileiro olhe para a Amazônia da forma como o Suíço olha para os Alpes. Precisa ser parte da identidade nacional", diz Roberto Waack, que é atualmente coordenador da rede Uma Concertação Pela Amazônia.

IEA lança livro sobre alternativas sustentáveis para a Amazônia .
Por Mauro Bellesa em IEA USP - O conjunto de textos reunidos no livro "Amazônia: Alternativas à Devastação", produzido pelo IEA e lançado este mês, "é uma amostra do que pode ser feito para alterar radicalmente a forma pela qual essa parcela fundamental do território brasileiro é tratada", afirmam os organizadores da obra, o geógrafo Wagner Costa Ribeiro e o sociólogo Pedro Roberto Jacobi, ambos integrantes do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente e Sociedade do IEA e professores do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam) do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP.

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