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Mundo: Por que carne segue tão cara no Brasil mesmo com queda em exportações

Conheça os principais parceiros comerciais do Brasil em 2021

  Conheça os principais parceiros comerciais do Brasil em 2021 Conheça os principais parceiros comerciais do Brasil em 2021Quanto aos parceiros comerciais, a China se manteve como o principal parceiro do Brasil. Do total de exportações feitas em 2021, cerca de 31,28% eram da China. Já no cenário de importações, foram 21,72%.

Em setembro, a China parou de importar carne do Brasil. O país declarou embargo às exportações brasileiras após a identificação de dois casos de vaca louca em frigoríficos em Minas Gerais e Mato Grosso.

Impacto do embargo da China não chegou a reduzir significativamente preço da carne bovina no varejo © Getty Images Impacto do embargo da China não chegou a reduzir significativamente preço da carne bovina no varejo

O efeito foi imediato. Em outubro, os embarques de carne bovina despencaram 43% em relação ao mesmo mês de 2020. Com o embargo mantido — apesar de a Organização Mundial de Saúde Animal afirmar que os casos eram atípicos e espontâneos e que, portanto, não apresentavam risco para a cadeia produtiva —, a situação se repetiu em novembro.

China amplia compra de carne bovina do Brasil

  China amplia compra de carne bovina do Brasil RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Impulsionadas pelo consumo asiático, principalmente da China,, as exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde neste início de ano. Os resultados projetam um 2022 favorável aos pecuaristas e frigoríficos. Somente em fevereiro, foram exportadas 182.341 toneladas de carne bovina (in natura e processadas), conforme a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos). O resultado é recorde para o mês, e a receita alcançou US$ 975,8 milhões.

Conforme os números levantados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), as exportações de carne bovina in natura e processada recuaram 47% em volume, na comparação com novembro do ano passado. Os dados são compilados a partir das informações da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério da Economia.

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Com a perspectiva de queda nas vendas para a China no curto prazo, o volume de animais abatidos diminuiu. Com a demanda menor, o preço do boi gordo despencou em outubro, com a arroba cotada a R$ 255, cerca de R$ 60 menos do que no início de setembro, conforme o indicador do Cepea.

China importando carne do Brasil outra vez é presente de Natal que será aberto em 2022

  China importando carne do Brasil outra vez é presente de Natal que será aberto em 2022 SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A China deu um belo presente de Natal para o Brasil, mas ele só poderá ser aberto no próximo ano. Essa é a avaliação de participantes desse mercado de proteínas. Quanto a reflexos para o consumidor, o valor da carne já está precificado, e as alterações serão pequenas, segundo avaliações do Ministério da Agricultura. Após três meses e meio de interrupção nas compras de carne bovina brasileira, a China anunciou o retorno ao mercado brasileiro.

Os consumidores brasileiros, entretanto, praticamente não sentiram essa queda no bolso.

"O boi caiu mais que no atacado, que, por sua vez, caiu mais do que no varejo", resumiu em entrevista recente à BBC News Brasil César de Castro Alves, da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Essa dinâmica fica clara em indicadores de inflação como o IGP-M, elaborado pela Fundação Getulio Vargas, que engloba os preços pagos tanto pelos produtores (Índice de Preços ao Produtor, o IPA) quanto consumidores (Índice de Preços ao Consumidor, IPC).

Conforme os dados compilados a pedido da reportagem pelo coordenador do IPC, André Braz, o item bovinos do IPA (boi vivo no pasto) tem registrado deflação desde setembro, chegando a recuar expressivos 5,92% em outubro. A carne bovina no IPA, por sua vez, que reflete o preço do animal abatido, recuou em setembro e novembro, sendo a queda mais forte neste último mês, de 1,01%.

Para CNI, PIB do Brasil deve crescer 1,2% em 2022

  Para CNI, PIB do Brasil deve crescer 1,2% em 2022 Entidade prevê queda da inflação e aumento do emprego e da massa de rendimento real. Investimentos na construção e em bens de capital deste ano vão influenciar produção nos próximos meses“A atividade econômica também deve se beneficiar da normalização da demanda por serviços prestados às famílias, que ainda está abaixo do nível pré-pandemia, e alguns setores industriais, principalmente aqueles ligados a investimentos, como a cadeia da construção civil e de bens de capital, as quais ainda devem ter o nível de produção impulsionado por pedidos e projetos provenientes de 2021”, explica Robson de Andrade.

Comportamento dos preços ao produtor e no varejo. Variação mensal de itens do IPA e IPC do IGM-P - em %. . © Fornecido por BBC News Comportamento dos preços ao produtor e no varejo. Variação mensal de itens do IPA e IPC do IGM-P - em %. .

Já as carnes bovinas no IPC seguiram registrando alta em setembro e outubro. A primeira retração veio em novembro, de 1,07% — o alívio, contudo, pode durar pouco.

"A gente tem percebido que a parte de carnes está aquecendo de novo. Então pode ser que um novo ciclo de aperto comece, e isso não permita um ciclo de desacelerações muito longo. Vamos ter que observar o comportamento dos preços a partir dos próximos meses", avalia o economista.

Preços ao produtor e no varejo. Itens do IPA e IPC do IGP-M - variação acumulada em 12 meses. . © Fornecido por BBC News Preços ao produtor e no varejo. Itens do IPA e IPC do IGP-M - variação acumulada em 12 meses. .

As razões

O pesquisador de pecuária do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, Thiago Bernardino de Carvalho, identifica pelo menos duas das razões que explicam porque a queda no preço dos bois praticamente não foi sentida no bolso dos consumidores.

Uma delas foi a autorização dada em outubro pelo Ministério da Agricultura para o armazenamento por até 60 dias em contêineres (e não apenas em câmaras frias, como coloca a legislação sanitária atual) do que foi produzido antes do bloqueio, em 4 de setembro.

Cidade vietnamita quer proibir venda de carne de cachorro e gato

  Cidade vietnamita quer proibir venda de carne de cachorro e gato Uma cidade turística do Vietnã se comprometeu a proibir a venda de carne de cachorro e gato, anunciaram as autoridades nesta sexta-feira (10), o primeiro caso em um país onde alguns consideram estes animais um manjar. As autoridades de Hoi An, um histórico porto comercial e patrimônio mundial da Unesco, assinaram um acordo com o grupo de defesa dos direitos dos animais 'Four Paws International' para proibir a venda e o consumo de carne de cachorro e gato.

Assim, a indústria pode manter o produto estocado e não precisou necessariamente disponibilizar o excedente para o mercado interno. Essa dinâmica ajudou a segurar os preços elevados no mercado doméstico.

No fim de novembro, a China deu o primeiro sinal de flexibilização e permitiu a exportação da carne certificada pelo menos até o dia anterior ao embargo (3 de setembro), que foi, então, embarcada para a Ásia.

De lá para cá, a indústria vem reequilibrando seus estoques, enquanto o bloqueio segue mantido.

Outro fator colocado pelo pesquisador está no último elo da cadeia, o varejo. Em sua avaliação, os açougues e supermercados aproveitaram para comprar carne mais barata em outubro para estocar para as festas — e o processo de estocagem, que envolve refrigeração, é custoso, ele pontua.

"O consumidor, se puder, não vai abrir mão da carne, do churrasco no fim do ano. Ele vai cortar outros produtos antes, e o supermercado sabe disso."

Há ainda a possibilidade de o varejo ter aproveitado parte da redução de preços pelos fornecedores para aumentar suas margens de lucro.

Essa foi a hipótese levantada em uma nota dura divulgada no fim de outubro pelo Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), que chamava de "distorção" a diferença de preços entre atacado e varejo e afirmava que ela mostrava "a ganância de um elo que não quer fazer parte de uma corrente da cadeia".

Alimentação à base de vegetais pode reverter a trajetória das mudanças climáticas

  Alimentação à base de vegetais pode reverter a trajetória das mudanças climáticas Alimentação à base de vegetais pode reverter a trajetória das mudanças climáticasEm fevereiro de 2022, um novo estudo publicado pela PLOS Climate mostra que se a produção global de carne e laticínios for gradualmente reduzida até zerar durante os próximos 15 anos, será o mesmo que "cancelar" as emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas por todos os outros setores econômicos por 30 a 50 anos

"Os balcões dos açougues e supermercados precisam se engajar na cadeia e não se apresentarem como inimigos", concluía o texto.

A reportagem procurou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que não se manifestou até o fechamento deste texto.

Cotação da arroba do boi gordo recuou cerca de R$ 60 em outubro © Agência Pará Cotação da arroba do boi gordo recuou cerca de R$ 60 em outubro

Ciclo de alta do boi

Toda essa questão conjuntural se dá em um momento em que o preço da carne já está pressionado por uma questão estrutural do setor. Há meses o preço do boi bate recordes porque há uma menor disponibilidade de animais para o abate — reflexo do próprio ciclo da bovinocultura, que compreende os períodos de reprodução e reposição dos animais.

Isso porque a cadeia de produção de carne bovina tem uma série de particularidades. Não é possível aumentar e diminuir a quantidade de bois no pasto tempestivamente, a depender do nível de demanda.

O tempo de gestação das vacas é de cerca de 9 meses. O período para que um bezerro se torne um animal pronto para o abate, por sua vez, gira em torno de dois anos. Tudo isso faz com que o ciclo seja mais longo que o de outras proteínas e dure cerca de 6 ou 7 anos.

Quando o preço do boi está elevado, como atualmente, a tendência é que os pecuaristas mandem as fêmeas (chamadas no setor de "matrizes") para o abate. Aos poucos, a oferta de animais aumenta e o preço do boi tende a reduzir.

Um volume menor de fêmeas, contudo, significa uma menor produção de bezerros (chamados no setor de "animais de reposição"). E é por isso que, no momento seguinte do ciclo, a tendência é de elevação nos preços dos bezerros.

Carne de caça: o que é e seus impactos

  Carne de caça: o que é e seus impactos A carne de caça é qualquer carne derivada da caça (legal ou ilegal) de animais selvagens, ou seja, que não vivem em fazendas da agropecuária. Consideradas carnes exóticas, o mercado da carne de caça, mesmo ilegal em diversas partes do mundo, ainda prospera. No Brasil, a única caça esportiva que é legalizada é a do javali, uma espécie considerada invasora. Porém, a legislação impede qualquer tipo de material derivado da caça esportiva de ser comercializado, incluindo a carne de caça. Isso significa que nenhum tipo de comércio de carne de caça é legalizado no país. Em outros países existem regras similares.

Essa alta, por sua vez, estimula a retenção de fêmeas, de forma que os preços dos bezerros tendem aos poucos a recuar. Com menos fêmeas disponíveis para o abate, é o preço do boi que começa a subir, e o ciclo tem início outra vez.

O ciclo que começou em 2018, ilustra Carvalho, quando a indústria começava a se recuperar dos impactos da Operação Carne Fraca, deve se estender até 2023 ou 2024.

"O ciclo do frango, por exemplo, tem 60 dias — é muito menor."

O momento atual tem uma outra particularidade que contribui para empurrar os preços para cima. De um lado, o dólar alto e o aumento da cotação das commodities elevou o preço das rações, que utilizam muitas vezes milho e soja como matérias-primas. De outro, a seca severa que atingiu o Centro-Sul do país reduziu as áreas de pasto e obrigou muitos produtores a confinar o gado, elevando ainda mais as despesas com ração.

Comportamento da renda de quem está empregado. Variação em relação a três trimestres móveis anteriores. . © Fornecido por BBC News Comportamento da renda de quem está empregado. Variação em relação a três trimestres móveis anteriores. .

Preço alto e renda em queda

Conforme destacado por Braz, do Ibre-FGV, já há sinais de que o segmento de carnes volta a aquecer. A arroba do boi gordo, por exemplo, já se recompôs da queda observada em outubro e voltou a atingir valores máximos.

Assim, a redução de preços sinalizada pelas últimas divulgações nos índices de inflação corre o risco de ser apenas um soluço, e não uma tendência.

No IPC, as carnes bovinas acumulam 16,6% de aumento nos 12 meses até novembro, quase o dobro da variação do índice fechado, que chegou a 9,72%. Assim, mesmo com o alívio mostrado pelos indicadores, os preços seguem em patamar bastante superior do que um ano atrás.

Do outro lado da equação, a renda dos brasileiros vem encolhendo, na medida em que a pobreza aumenta e que o mercado de trabalho gera vagas mais precárias.

Esse último aspecto aparece nas estatística da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que mostra que a renda média de quem está empregado vem diminuindo consecutivamente há 12 meses, desde outubro de 2020.

Apesar de a taxa de desemprego estar recuando desde maio, ela segue em patamar bastante elevado - 12,6% da força de trabalho, ou 13,5 milhões de desempregados.

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Conab eleva exportação de trigo do Brasil a recorde, reduz moagem e importação .
A indústria brasileira lida com preços em alta, moagem em queda e tem importado menos que o esperado []Até o início do mês passado, a Conab projetava exportações para este ano comercial em 2,1 milhões de toneladas, volume que foi ajustado após grandes exportações efetivadas em março, que tiveram impulso adicional da demanda extra gerada pela guerra entre Ucrânia e Rússia.

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