TOP notícias

Mundo: Erros do governo Merkel alimentaram a guerra na Ucrânia?

Ataques e 4 milhões de refugiados: o 35º dia de guerra

  Ataques e 4 milhões de refugiados: o 35º dia de guerra Quantidade de pessoas fugindo do conflito na Ucrânia ultrapassa estimativa da ONU. Ucrânia e Ocidente veem possível recuo da Rússia com ceticismo, e Eslováquia expulsa 35 diplomatas russos. © Vadim Ghirda/AP/picture alliance Moradora procura por pertences em meio a escombros de residências na periferia de Kiev, capital da Ucrânia Na noite desta quarta-feira (30/03), 35º dia de guerra na Ucrânia, o presidente Volodimir Zelenski afirmou que as negociações entre russos e ucranianos para tentar selar um acordo de paz continuam.

Críticos veem na invasão uma prova do fracasso da política alemã de apaziguamento e dependência em relação à Rússia. Reprimendas são especialmente dirigidas a Merkel, mas também a outras personagens políticas.

Merkel recebe flores de Putin em visita a Moscou em agosto de 2021 © Sputnik/REUTERS Merkel recebe flores de Putin em visita a Moscou em agosto de 2021

Ao comentar o massacre de civis em Bucha, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, culpou as tropas russas, mas também fez sérias acusações à ex-chanceler federal alemã Angela Merkel. Ele a convidou para visitar Bucha e ver "a que conduziu a política de concessões à Rússia em 14 anos", disse Zelenski.

Há 14 anos, em uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bucareste, Merkel e o então presidente francês Nicolas Sarkozy, em particular, agiram para que a Ucrânia não recebesse um convite para ingressar na aliança militar ocidental. Eles tentavam evitar provocar a Rússia. Hoje, Zelenski chama isso de "erro de cálculo", que, segundo ele, fez com que a Ucrânia esteja passando agora "pela pior conflito da Europa desde a Segunda Guerra Mundial".

Atacante na área! Carlos de Pena é anunciado pelo Internacional

  Atacante na área! Carlos de Pena é anunciado pelo Internacional Uruguaio é o mais novo reforço do Colorado para a sequência da temporada 2022Aos 30 anos, ele desembarca com a responsabilidade de ajudar Alexander Medina a deixar o seu time mais veloz dentro das quatro linhas.

Nord Stream 2 aprovado após anexação da Crimeia

O governo Merkel também se recusou a entregar armas à Ucrânia após a anexação russa da Crimeia em 2014. E ainda aprovou o gasoduto Nord Stream 2 pouco tempo depois, contornando a Ucrânia como país de trânsito de gás. "De que outra forma Moscou deveria entender isso, a não ser como uma aceitação tácita de uma mudança violenta de fronteiras?" questiona Henning Hoff, do Conselho Alemão de Relações Exteriores.

O primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, também se dirigiu diretamente a Merkel: "Senhora chanceler, você tem estado em silêncio desde o início da guerra. No entanto, é precisamente a política da Alemanha nos últimos 10, 15 anos, que levou à força da Rússia hoje, com base no monopólio da venda de matérias-primas". E, sob o chanceler federal Olaf Scholz, a Alemanha está bloqueando sanções mais decisivas da UE, acusou Morawiecki.

Caso reverta desvantagem, Abel quebrará jejum de 65 anos de estrangeiros no Paulistão

  Caso reverta desvantagem, Abel quebrará jejum de 65 anos de estrangeiros no Paulistão Último gringo a vencer Estadual foi Bela Guttmann, pelo São Paulo, em 1957, que teve grande influência no futebol português: veja quem foi o húngaroO último gringo a atingir o mérito foi justamente no rival tricolor: o uruguaio Bela Guttmann, campeão em 1957 pelo São Paulo e que, além de revolucionar o futebol brasileiro, arcou história em Portugal e é considerado o fundador da escola portuguesa de futebol.

Merkel e Scholz não são os únicos que estão sob fogo no momento. Andrij Melnyk, embaixador da Ucrânia em Berlim, acusou o presidente alemão e ex-ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, no jornal Tagesspiegel de ainda encarar cegamente a relação com a Rússia como "algo fundamental, mesmo sagrado, não importa o que aconteça, nem mesmo a guerra de agressão desempenha um papel importante". Provavelmente nunca antes na história da República Federal da Alemanha um embaixador estrangeiro foi tão duro com um chefe de Estado alemão.

Política externa de Berlim foi "grande autoengano"

As críticas não atingem apenas os indivíduos, mas toda a política externa, de segurança e comercial alemã dos últimos 30 anos. "Houve demasiado diálogo e muito pouca dureza em relação ao Kremlin", afirmou o embaixador Melnyk.

O cientista político Stephan Bierling, da Universidade de Regensburg, confirmou esta avaliação à DW: "Todos os governos alemães desde que Putin assumiu o poder têm sinalizado que relações descomplicadas com Moscou são mais importantes do que o destino da Ucrânia. Isto encorajou o Kremlin a lançar seu ataque".

A Ucrânia pode ganhar a guerra? Dez perguntas sobre o conflito

  A Ucrânia pode ganhar a guerra? Dez perguntas sobre o conflito As repórteres Jenny Hill e Orla Guerin — que estão em campo — tiram dúvidas sobre o conflito.As forças ucranianas começaram tentativas de retomar algumas áreas da Rússia, que anunciou nesta semana que reduziria as operações em torno de Kiev e da cidade de Chernihiv, ao norte.

Bierling já havia classificado a política externa alemã dos últimos anos como um "grande autoengano" na revista política Cicero em 24 de março. Sob a constante proteção militar dos EUA, a Alemanha teria "cedido às ilusões pacifistas" e se concentrado apenas em seus próprios negócios.

Ingenuidade em relação a Pequim

Bierling também vê este padrão na política da China: "Agradar para receber vantagens econômicas, aplicar ideias ingênuas de influência liberalizante de um império a partir do exterior, sacrificar ideais democráticos como os direitos humanos e a liberdade de expressão para não irritar os que estão no poder".

É verdade que vários governos europeus, assim como Washington, criticaram durante anos a política da Alemanha em relação à Rússia − e também à China. Mas isso não foi ouvido em Berlim − até que o exército russo invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro.

Steinmeier admite erros

Quando a guerra começou, o chanceler federal Olaf Scholz falou de um "ponto de virada". Será que ele também quis dizer "mudança fundamental na política externa alemã?"

Guerra na Ucrânia: a rebelião religiosa por trás da invasão russa

  Guerra na Ucrânia: a rebelião religiosa por trás da invasão russa Líder máximo da Igreja Ortodoxa Russa não condenou invasão à Ucrânia e abençoou as tropas russas, levando muitos bispos e fiéis ucranianos a um sentimento de revolta.Mas, enquanto as tropas estão lutando em solo ucraniano, um conflito menos visível também está acontecendo no país.

Steinmeier admitiu erros na política com a Rússia © Michael Sohn/AP/picture alliance Steinmeier admitiu erros na política com a Rússia

Na última terça-feira, o presidente Steinmeier reconheceu publicamente que errou em relação à Rússia, especialmente sobre a questão do Nord Stream 2, que custou muita credibilidade à Alemanha.

"Nós falhamos em construir uma casa europeia comum", disse Steinmeier. "Eu não acreditava que Vladimir Putin abraçaria a completa ruína econômica, política e moral de seu país por causa de sua loucura imperial", acrescentou. "Nisto, eu, como outros, estava enganado."

Entretanto, quando Putin tomou posse, não havia como saber como ele se comportaria com o tempo, completou Steinmeier.

Henning Hoff discorda: Desde a segunda guerra da Tchechênia, iniciada em 1999, quando Putin era ainda primeiro-ministro, já era possível reconhecer o caráter "criminoso, hipernacionalista" do líder russo, argumenta.

Alexander Dobrindt, chefe do grupo parlamentar do partido conservador CSU, na oposição ao governo Scholz atualmente, é um dos poucos políticos alemães que ainda defende a política tradicional de incentivar mudanças através do comércio. Ele afirma que o objetivo dela era garantir a paz e criar prosperidade comum. No entanto, Putin destruiu isso. "Mas, na época, essas decisões não estavam fundamentalmente erradas", disse Dobrindt.

Guerra na Ucrânia: mais de 1.200 corpos são descobertos na região de Kiev

  Guerra na Ucrânia: mais de 1.200 corpos são descobertos na região de Kiev A Ucrânia anunciou neste domingo (10) que mais de 1,2 mil corpos foram descobertos até agora na região de Kiev, local de atrocidades cometidas pela ocupação russa, enquanto os bombardeios continuam no país, que se prepara para sofrer uma forte ofensiva no leste, região que vem sendo abandonada às pressas por seus habitantes. No momento, os ataques aéreos e bombardeios continuam na Ucrânia: na manhã deste domingo, pelo menos duas pessoas morreram em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, e em seus subúrbios, anunciou o governador regional Oleg Sinegoubov.

Merkel: Ucrânia não deve entrar na Otan

Com exceção de uma declaração divulgada imediatamente após a invasão russa na Ucrânia, Angela Merkel tem evitado se manifestar. O que se sabe é que ela não lamenta sua decisão, em 2008, de bloquear a adesão da Ucrânia à Otan. Ela "mantém suas decisões em relação à cúpula de Bucareste em 2008", anunciou uma porta-voz da Merkel.

E esta posição ainda é o consenso dentro da própria Otan: a maioria dos membros da aliança militar está feliz por não ser obrigada a prestar assistência militar à Ucrânia porque não quer ser arrastada para uma guerra direta com a Rússia.

Scholz é acusado de bloquear maior rigor contra Rússia © Christoph Reichwein/IMAGO Scholz é acusado de bloquear maior rigor contra Rússia

O sucessor de Merkel, Olaf Scholz, também vê as coisas dessa maneira. Entretanto, ele tem incentivado mudanças na área de defesa. Hoje, o governo alemão, chefiado por um social-democrata e um vice-chanceler federal verde, anunciou que querrearmar maciçamente a Bundeswehr (as Forças Armadas da Alemanha) e também está fornecendo armas para a Ucrânia, "numa ruptura com longas tradições", como definiu Scholz na quarta-feira.

Bundeswehr é "motivo de piada"

O que os dois especialistas em política externa aconselham ao governo alemão? Sanear a Bundeswehr, que é "percebida como motivo de piada" tanto por nações aliadas quanto inimigas, aconselha Bierling. O governo alemão deve desenvolver primeiro uma estratégia de segurança europeia e depois uma estratégia de segurança global. E ele sente falta de "políticos na Alemanha especializados em questões de segurança. Com poucas exceções, nenhum dos partidos têm muito a oferecer".

Por que Rússia quer dominar região de Donbas

  Por que Rússia quer dominar região de Donbas O “barato” de uma nova droga ilegal e de baixo custo está levando jovens de Serra Leoa a um lugar sombrio. Alguns enlouquecem, outros se ferem e muitos cometem crimes para sustentar o vício no kush: uma mistura de folhas trituradas com elementos químicos que é consumida na forma de cigarros. Usuários da droga se acumulam nas alas psiquiátricas de hospitais locais e a polícia trava uma dura batalha para tirá-la de circulação. Nesta reportagem, o produtor de vídeos Tyson Conteh investiga para o BBC Africa Eye a marcha implacável do kush, que se espalha como fogo e atinge usuários cada vez mais jovens. Será que o país tem condições de impedir o avanço dessa droga tão viciante? Confira no vídeo.

De acordo com Hoff, o objetivo deve ser: o abandono ainda mais rápido do uso de combustíveis fósseis; no aspecto militar, a Alemanha deve "tornar-se um player capaz de desempenhar um papel na Otan e na UE de forma proporcional ao seu peso econômico"; e ainda incentivar uma "política de europeização da Rússia e da China".

Mediação alemã ainda é necessária

Isso no entanto não significa que a diplomacia e a mediação alemãs não sejam mais necessárias. O embaixador da Ucrânia pede armas alemãs, mas também apelou aScholz para ser mais ativo na mediação do conflito Rússia-Ucrânia.

"Precisamos da liderança pessoal do chanceler federal Olaf Scholz hoje em particular" para negociações com Putin, disse Melnyk em uma entrevista. "Isso seria um teste decisivo para a nova política externa alemã".

Neste contexto, Melnyk também defende o chamado "Formato Normandia", ou seja, reuniões regulares entre França, Alemanha, Rússia e Ucrânia, que se originaram em grande parte no governo Merkel. "Pedimos ao chanceler federal Scholz que convoque a Cúpula do Formato Normandia o mais rápido possível".

Entretanto, a composição atual não é suficiente para Melnyk, e isto pode refletir uma certa desconfiança em relação a Berlim: "Também está claro que precisamos dos americanos a bordo para negociar com Putin com uma só voz e a partir de uma posição de força."

Autor: Christoph Hasselbach

Ucranianos que fugiram da guerra começam a voltar ao país mesmo em meio aos combates .
A BBC conversou com pessoas que optaram por retornar às suas casas, inclusive nas áreas mais perigosas, apesar do risco de serem alvos de ataques russos.No dia 10 de março, quando russos se aproximavam da cidade, o marido de Olena pediu que ela deixasse o país com a filha. Olena e Maria foram para a casa de uma amiga na cidade polonesa de Szczecin, na fronteira com a Alemanha.

Ver também